12/06 - O segredo dos centenários

Na Calábria, no sul da Itália, vive a maior concentração de centenários do país. O bioquímico Valter Longo cresceu na região e decidiu investigar o que havia de especial na rotina das pessoas mais longevas.
Ao conversar com os moradores, ouviu um padrão curioso: “Passamos por momentos em que simplesmente não havia comida.” A saúde não vinha apenas da dieta mediterrânea — mas também dos períodos sem alimento.
O que Longo encontrou pode mudar sua forma de ver o jejum e o envelhecimento saudável. A ciência atual reforça que, com orientação adequada, o jejum pode ser uma ferramenta valiosa para promover saúde metabólica e longevidade.
1. Resultados científicos mostram benefícios consistentes
Em laboratório: estudos com camundongos mostraram que uma dieta que imita o jejum prolongou a expectativa de vida, reduziu a incidência de câncer e melhorou funções como memória e resposta a tratamentos.
Em humanos: um estudo com 71 adultos saudáveis, que seguiram esse tipo de dieta por cinco dias ao mês durante três ciclos, registrou reduções de gordura corporal, pressão arterial, glicose e inflamação — fatores importantes para a saúde metabólica.
2. O “quando” comemos também importa
Uma pesquisa da Universidade do Texas mostrou que a restrição calórica isolada aumentou a longevidade em cerca de 10%. Mas quando combinada com uma janela de alimentação limitada (como 2 a 4 horas por dia), os efeitos foram significativamente maiores.
Embora esses dados não possam ser traduzidos diretamente para humanos, os pesquisadores indicam que a combinação entre jejum controlado e alimentação equilibrada oferece benefícios reais para a saúde.
3. O que acontece no corpo durante o jejum?
Durante o jejum, o corpo ativa processos importantes:
- Ativação das células-tronco, que participam da regeneração das defesas imunológicas
- Limpeza celular (autofagia), que elimina partes danificadas e estimula a renovação
- Mudança metabólica, da queima de açúcar para gordura, favorecendo o equilíbrio energético
Estratégia prática e segura:
Começar com um jejum de 6 a 12 horas por dia — como evitar comer entre o jantar e o café da manhã — pode ser uma forma simples de adotar os benefícios. A chave está na constância e na escuta do próprio corpo.
E sempre que possível, converse com um profissional de saúde antes de iniciar qualquer protocolo alimentar, especialmente se você tem condições médicas específicas.
Como diz Longo: “Jejum é apenas uma palavra, como comer. Você precisa saber que tipo funciona — e por quê.” O segredo dos centenários da Calábria não estava apenas no que comiam, mas também nos intervalos em que não comiam. *
Fontes:
1. National geographic - O jejum pode ajudá-lo a viver mais? Confira o que a ciência diz

Em 9 de junho de 2025, a Anvisa oficializou uma decisão importante para o tratamento da obesidade no Brasil: a aprovação do Mounjaro (tirzepatida) para o controle crônico do peso.
Para quem enfrenta desafios com obesidade ou sobrepeso, essa aprovação representa uma nova possibilidade com base científica sólida. Até então, o Mounjaro era usado de forma “off-label” para emagrecimento — ou seja, sem autorização oficial para essa finalidade.
Com a nova liberação, ele passa a ser oficialmente indicado para:
- Pessoas com IMC igual ou superior a 30 kg/m² (obesidade)
- Pessoas com IMC entre 27 e 30 kg/m² (sobrepeso) associadas a condições como hipertensão, diabetes tipo 2, apneia do sono ou doenças cardiovasculares
Como o Mounjaro age no organismo
O medicamento atua como um agonista duplo dos receptores GIP e GLP-1 — hormônios que regulam o apetite e o metabolismo da glicose. Na prática, isso significa:
- Sensação real de saciedade com menor quantidade de comida
- Redução natural da fome
- Melhor resposta à insulina e controle da glicose
- Esvaziamento gástrico mais lento, prolongando a saciedade
Evidências clínicas
Dois grandes estudos internacionais reforçam a eficácia do Mounjaro:
Estudo SURMOUNT-1
- Perda de peso entre 15% e 20,9% em 72 semanas
- Placebo: apenas 3,1% de perda
Estudo SURMOUNT-2
- Perda de peso entre 13,4% e 15,7% em 72 semanas
- Placebo: 3,3%
Em termos práticos, uma pessoa com 100 kg pode perder entre 13 e 21 kg em pouco mais de um ano, com manutenção do peso após o tratamento.
Segurança e efeitos colaterais mais comuns
- Náusea, vômito, diarreia
- Tontura, hipotensão
- Queda de cabelo (em alguns casos)
- Alterações na vesícula biliar
A tirzepatida já foi utilizada por mais de 1,4 milhão de pessoas no mundo, acumulando um perfil de segurança consistente com mais de 399 mil anos-paciente de exposição.
O que essa aprovação representa:
Mais segurança clínica
Com a aprovação oficial, médicos podem prescrever com respaldo e os pacientes têm mais confiança no acompanhamento.
Protocolos definidos
A autorização permite monitoramento mais claro, com ajustes de dose baseados em evidências.
Uma nova alternativa real
Para quem já tentou diversas abordagens sem sucesso, esse pode ser um novo caminho aliado a mudanças sustentáveis no estilo de vida.
Informações complementares
- O Mounjaro já está disponível no mercado nacional. A fabricante tem até 180 dias para atualizar as bulas com a nova indicação.
- A inclusão no SUS depende de avaliação pela CONITEC e aprovação do Ministério da Saúde.
- O medicamento exige prescrição e acompanhamento médico rigoroso, especialmente para ajuste de doses e avaliação de efeitos adversos.
Importante:
O Mounjaro não substitui alimentação equilibrada nem prática de atividade física. Ele é uma ferramenta complementar, e não uma solução isolada. *
Fontes:
1. gov.br – Mounjaro® (tirzepatida): nova indicação

Muito antes da ciência explicar os nutrientes, nossas avós já preparavam caldos longos com ossos, vegetais e ervas.
Hoje, pesquisadores começam a olhar com mais atenção para esse hábito antigo — não como uma solução milagrosa, mas como parte de uma alimentação rica e variada.
O que é o caldo de ossos?
Ao cozinhar lentamente ossos com água e ingredientes naturais, alguns compostos presentes nas estruturas ósseas e cartilaginosas se soltam e enriquecem o líquido. Entre os mais estudados:
- Colágeno e gelatina, que fornecem aminoácidos estruturais como glicina e prolina
- Minerais como cálcio, fósforo e magnésio, em pequenas quantidades
- Compostos com potencial efeito anti-inflamatório, dependendo dos ingredientes usados
Áreas em que o caldo tem sido explorado:
1. Articulações e cartilagens
O colágeno é essencial para a integridade das articulações. Embora os efeitos mais consistentes venham de suplementos hidrolisados, caldos ricos em gelatina podem contribuir, como parte de uma dieta equilibrada, para o suporte nutricional das articulações.
2. Saúde intestinal:
A gelatina contém aminoácidos que, em estudos iniciais, demonstraram potencial para ajudar na manutenção da mucosa intestinal. Ainda são necessários mais ensaios clínicos para comprovar esses efeitos em humanos, mas a base biológica é plausível.
3. Pele e tecidos:
A ingestão regular de colágeno pode ter efeito na elasticidade e hidratação da pele, segundo algumas pesquisas. O caldo de ossos oferece esses aminoácidos em sua forma natural, embora em concentrações mais baixas e variáveis.
4. Apoio geral ao organismo:
Mais do que buscar benefícios isolados, o caldo pode ser visto como uma forma nutritiva de enriquecer preparações, fornecendo proteínas e minerais com boa digestibilidade — especialmente útil em momentos de convalescença, inapetência ou dietas restritivas.
Como incluir de forma prática:
- Bebida quente: puro, como substituto ocasional de chás ou cafés, especialmente à noite
- Base de receitas: sopas, risotos, molhos ou no preparo de grãos como arroz e lentilha
- Alternativa natural aos caldos prontos, que costumam conter aditivos, conservantes e excesso de sódio
O que considerar antes de adotar:
- A qualidade dos ossos importa: prefira fontes confiáveis, com menor risco de resíduos químicos
- Caldos caseiros são mais indicados que os industrializados com sabor artificial
- Pessoas com restrições alimentares específicas devem conversar com um profissional antes de mudanças na dieta
- O consumo deve ser parte de uma alimentação variada — não uma substituição de refeições ou tratamentos médicos
Conclusão:
O caldo de ossos não é uma fórmula mágica, mas pode ser um recurso nutritivo, versátil e acolhedor dentro de uma alimentação equilibrada. A ciência ainda está explorando seu potencial, e os resultados até aqui são promissores, embora preliminares.
Recuperar tradições como essa, com olhar crítico e sem promessas exageradas, é um passo importante para cuidar da saúde com mais consciência e simplicidade. *
Fontes:
1. Abran - Caldo de ossos é moda no exterior: entenda se vale a pena aderir


